Podia ser melhor: Orgulho e Preconceito e Zumbis

quarta-feira, 22 de junho de 2016 | Postado por: Bela

Mulheres vitorianas treinadas para serem excelentes esposas e ainda capazes de matar zumbis? Não sei porque achei a ideia tão idiota quando vi o livro na prateleira pela primeira vez. Verdade seja dita: nunca gostei muito de zumbis. No entanto, estou disposta a dar uma chance para o livro depois de assistir ao filme, que é o que será discutido aqui hoje.



‘’ Um surto de zumbis se abateu sobre a Terra nesta releitura do conto clássico de Jane Austen que trata das relações e enlaces amorosos entre amantes de diferentes classes sociais na Inglaterra do século XIX. A resoluta heroína Elizabeth Bennet é mestre em armas e artes marciais; e o belo Mr. Darcy é um feroz assassino de zumbis e símbolo máximo do preconceito inerente às classes superiores. Mas à medida que o surto zumbi se intensifica, os dois devem deixar o orgulho de lado e unir forças no campo de batalha encharcado de sangue, a fim de acabar com o exército morto-vivo de uma vez por todas.’’
Talvez eu já tenha entregado minha reação ao assisti-lo, mas a análise vai um pouquinho mais além. O filme tem questões perfeitas. P-E-R-F-E-I-T-A-S! O casting é lindo, a fotografia é linda, o vestuário é lindo... Mas acho que alguém (direitor?) não soube como conduzir a história dentro de uma hora e quarenta e oito minutos de filme.

O Sr. Capitão, que estava assistindo comigo, disse ‘’você sabe que o filme é ruim quando ele está todo cortado e a história parece confusa.’’ E por mais que eu tenha protegido o filme, não posso deixar de ressaltar que sim, as transições de cenas são aleatórias e às vezes parece que a anterior nem tinha acabado ainda.

Eu estava entendendo (e rindo) das coisas porque eu conheço o original, eu sei quem é quem e suas ambições, maaaaas... pelo visto, quem não sabe muito, se vê um pouco perdido.

A química entre Mr. Darcy e Elizabeth está ali, mas o amor não é tããããããão bem construído por conta do espaço de tempo e percebi isso quando ela tem um flashback dos momentos deles e pensei ‘’Só isso?’’. Fico imaginando o quão desnecessário teria sido esse flash se tivessem acrescentado a tal cena de dança, mas com uma luta no meio. Nada ascende mais a chama da paixão do que uma dança vitoriana olho no olho, mas encostando as mãos e banhados em sangue zumbis. Lindos.
No quesito entre os dois, preciso dizer que a cena do pedido de casamento é a MELHOR. Só fiquei com uma mosquitinha atrás da orelha com um final. Só conseguia lembrar do que falam da adaptação de 2009, onde não tem beijo no final por considerarem que ficaria mutio americano. E nesse caso, é muito americano o modo como é encerrado, mas nada que uma pessoa que goste de demonstrações mais fisicas de afetos como eu, não goste.



E claro, do meio para o final acontecem coisas totalmente diferentes de livro para adaptação zumbi, o que não é errado de todo modo, mas, aparentemente, o Sr. Wickham nunca se ferra apropriadamente (!!!). Sério, alguém poderia simplesmente explodir esse homem?

Acredito também que o confronto final com os zumbis poderia ter sido diferente. Mesmo que sido o Sr. Wickham Vilão da História que deu a ideia para a apaziguar a guerra, o plano era até muito bom: Se um zumbi não comer cérebro humano, ele consegue viver a vida normalmente (se ignorar que você está caindo aos pedaços). Então, o Wickham iria usar isso de alguma maneira para tornar-se o novo líder do mundo (o que, eu acho até muita coisa para o personagem, considerando que ninguém além da Elizabeth se importa com ele), e assim, o plano de Darcy consistiu em alimentar a galera que estava de boa com os tais cérebros humanos e faze-los correrem atrás de carinha. Nice one, Darcy –n.

Provavelmente eu tenha me tornado um pouco protetora em relação a esses zumbis, afinal, é o único filme que eu assisti onde os mortos-vivos não fizeram com que a sociedade se deteriorasse e nos tornasse escravos da sobrevivência e por conta disso, não sentir nenhuma ansiedade ao final dele.

No geral, dá sim para ter um bom momento de diversão, porém o gostinho de quero mais não vem com o cliffhanger e sim, é alimentado durante todo o percurso com ideias do que poderia ter sido feito para torna-lo um possível clássico.




Nota: eu queria muito saber o que Jane Austen pensaria dessas versões. Especialmente com ‘’50 tons de Mr. Darcy’’. Alguém crie uma máquina do tempo (ou do ‘’revivamento’’ por favor).


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