Contos de Fadas e os consumidores atuais, parte dois - Cinderela

quarta-feira, 1 de junho de 2016 | Postado por: Duda

Sua origem tem diferentes versões. A versão mais conhecida é a do escritor francês Charles Perrault, de 1697, baseada num conto italiano popular chamado A Gata Borralheira. A mais antiga é originária da China, por volta de 860 a.C. .Existe também a dos Irmãos Grimm, semelhante à de Charles Perrault . Nesta, porém, não há a figura da fada-madrinha e quem favorece a realização do desejo de ir ao baile são os pombos e a árvore. Neste caso, Cinderela sabe palavras mágicas, usadas no imperativo, que auxiliam na transformação de seu pedido em realidade .No final, as irmãs malvadas ficam cegas ao terem seus olhos furados por pombos.

Seja na infância, na adolescência ou na vida adulta, a história de Cinderela tem grande influência sobre a cultura feminina.



Na china o costume de enfaixar os pés das mulheres é muito antigo. Em cinderela são vivenciados os sofrimentos e as esperanças na rivalidade fraterna, bem como a vitória sobre irmãs e pais que as maltratam. No conto se substitui a rivalidade com os irmãos adotivos, para melhor assimilação.

A vileza das irmãs más é tão clara que os castigos que acontecem não agridem o pequeno leitor. Comparando o sofrimento que a criança possa estar vivendo, o da história é maior. Às vezes a assimilação chega a ser desabafada em atitudes e palavras.


Na superfície temos a fantasia dos adolescentes de que a sua vida não pode ser a real: existe um destino melhor, que lhe pertence e que lhe foi roubado, simbolizado na história pelo príncipe. “Essa história permite uma empatia imediata de qualquer filho, já que cada um se sentirá demasiado injustiçado e exigido, assim como pouco amado. Acreditamos que daí provém seu sucesso”. “Onde houver irmãos, haverá desigualdade de fato ou a suposição de que ela existe.” Como costuma acontecer, a figura materna é multifacetada: é a mãe bondosa que foi, a madrasta exigente e a fada que inspira sonhos. Quanto àquele sapatinho, sim, ele pode ser interpretado como um traço de fetichismo, uma dica precoce de que alguns elementos podem valer muito no jogo da sedução.

É comum as meninas crescerem com a expectativa de encontrar um grande amor. Quando se chega à fase da adolescência então, todas as novas conversas são voltadas para aquele homem perfeito que a gente idealiza e deposita nele todas as novas expectativas de felicidade. E daí a gente começa a se dá conta de que o príncipe encantado na verdade não existe e que nem um dos homens se encaixa nas características do nosso príncipe encantado, que a agora a gente tem a certeza que só existia em nossa imaginação. Mas infelizmente muitas mulheres podem guardam essa imagem de príncipe encantado, não conseguem apagar essa visão recebida quando criança e sem elas mesma percebam e estão sempre a procura da “vida de princesa”. Adquirem uma eterna imagem de ingênua da gata borralheira.



O encanto da Cinderela conquista até hoje milhares de pessoas, porque reflete nossa vontade interna de que as coisas mudem “magicamente”. Além disso, é fácil se encaixar com a história da garota sofrida que é a menos amada das filhas, a que fica com todos os afazeres. Todas as crianças que já tem irmãos alguma vez na vida já se sentiu assim. A diferença está em esperar que algo aconteça, ou correr atrás disso.

• A garota mimada


Cinderela é a garota romântica, que sonha com uma vida diferente, mas não faz nada para mudar isso. Se sente sempre a menos importante, mas isso é apenas o reflexo do mimo que sempre recebeu dos pais. Sempre acostumada a ser a garotinha do papai se sente incomodada quando a situação começa a mudar, e outros irmãos, e até mesmo a mãe ganha um espaço maior na vida do pai.

• A madrasta egoísta


A madrasta nada mais é do que aquela mãe que sente que já fez demais pelos filhos, por isso, é hora de eles retribuírem. O que se destaca também é a preferencia nítida por um filho em especifico (normalmente o mais novo, ou mais velho). Ela investe no filho preferido, visado o retorno desse investimento no futuro. É um jeito de garantir que quando não puder mais se virar sozinha o filho ainda vai estar lá para sustenta-la.

E ai, o que acharam dessa analise? Concordam ou discordam? Semana que vem é a vez da Bela de A Bela e a Fera.

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 Beijooos


Um comentário:

  1. Hello! Bem eu basicamente não tinha visto os contos de fadas dessa forma tão ampla, em questão de relaciona-los com a vida real. Achei bem interessante essa colocação, e o mais interessante ainda é que a Disney, a maior produtora de contos de fadas, está deixando de lado um pouco dessa onda de "garotinhas sofridas" e criando personagens fortes. Se analisarmos, podemos considerar uma evolução, obviamente baseada em épocas diferentes, mas, que trasem diversas analises.

    Beijos
    Karolini
    womenrocker.blogspot.com

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