Uma palavra que não gosto: Bullying

sexta-feira, 1 de abril de 2016 | Postado por: Bela

Na minha época não existia bullying. O termo não era usado até eu estar no colegial e o tema começar a ser mais divulgado nas mídias da época. Então era bullying retratado em novela, filme, tema de noticiário e por aí vai.


Só que eu não tive isso. As coordenadoras do meu colégio pareciam não saber como contornar essa situação (e acho que até hoje ninguém sabe).

Eu era a gordinha da sala, desde sempre eu fui. E imagina ser também a garota que se desenvolveu antes das outras? Eu fui zoada por ter ficado menstruada. Quando o tema surgiu na sala de aula, todas as meninas olharam pra mim. Sabe quantas vezes fui parar na sala da coordenadora e da diretora por ter batido em alguém que estava me zuando? Várias.

O ciclo era sempre o mesmo. Fulano me xingava > eu tentava ignorar > Fulano xinga de novo > Eu xingo de volta pra ver se ele para > Fulano xinga mais uma vez > eu levantava e batia na pessoa.
Isso quando era fácil bater, porque o recreio se tornava palco de um episódio de Tom e Jerry onde os filhos da mãe eram a droga do Jerry que usavam o banheiro masculino para ter trégua.

O problema é que se eu pegava, eu machucava (Isso quando não quebrei alguma coisa do tal fulaninho (Desculpa pela sua mala Igor <3)) e por machucar, eu era chamada lá na tal salinha.

O papo também era quase sempre o mesmo.
‘’O que aconteceu, Belinha?’’
‘’Fulano me xingou.’’
‘’Quando acontece isso, você tem que conversar com a professora ou alguma coordenador’’
‘’Eles não fazem nada, pedem pra ignorar.’’
‘’E porque você não ignora?’’
‘’Porque eu não aguento.’’

Minha sorte era que eu era ótima aluna e minha mãe sabia se impor nas reuniões.
Quanto mais eu paro para pensar, mais eu lembrava o quanto eu achava injusta toda aquela situação. Eu era culpada por não fazer o certo, mesmo quando os outros era que estavam fazendo o errado.
Então veio o amadurecimento. Alguns dos garotos que praticaram o tal do bullying comigo até vieram a se tornar meus colegas, sobrando apenas o tal do Igor como amigo.
Essa volta toda foi para dizer que mesmo com todas as campanhas (e eu tive que montar uma no primeiro ano da faculdade de propaganda, então eu pesquisei bastante), nós ainda não sabemos como lidar com ele e vejo isso pelo meu irmão, cinco anos mais novo, que também já sofreu disso.
Parece que mesmo avançando e mesmo com toda a tecnologia nos permitindo realizar diversas pesquisas e abrir diversas discussões, nós caímos no mesmo buraco.
Não gosto da palavra bullying porque agora usam ela como frescura, não gosto dela porque tem uns que não a levam mais a sério, não gosto dela porque ela ainda não ajudou a resolver o problema.
Infelizmente, não venho aqui com uma solução maior do que ‘’respeitar uns aos outros’’, porque até mesmo as coisas que deveriam ser mais simples, são as mais difíceis de serem alcançadas.

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